Quilombo dos PalmaresO Quilombo dos Palmares é um dos mais famosos e conhecidos do Brasil. Ele foi erguido estrategicamente na região onde hoje é o município de União dos Palmares, no estado de Alagoas. Ele pertencia à Capitania de Pernambuco, na Serra da Barriga, e foi nomeado desta forma por causa da quantidade de palmeiras que existiam na vegetação da região. Acredita-se que os primeiros habitantes deste quilombo chegaram por volta de 1580, fugindo de engenhos localizados na Bahia e em Pernambuco.

Inicialmente, foi comandado por Ganga Zumba que trabalhava na organização do quilombo e recebia os novos habitantes. Atingiu seu ápice populacional entre 1624 a 1654 e no ano de 1670, como registrado por historiadores, havia cerca de 20 mil habitantes. Ele sobreviveu a diversos ataques (de portugueses e holandeses), permanecendo firme por mais de 100 anos. Os quilombolas eram organizados e eles possuíam uma incrível capacidade militar.

Morte de Ganga Zumba

Houve um momento em que o governador de Pernambuco desejou realizar um acordo com eles: dariam a liberdade a todos os habitantes, mas em troca, deveriam impedir a entrada de novos fugitivos. O acordo foi aceito, porém foi descumprido. Como resultado Ganga Zumba foi assassinado por envenenamento, em 1678, e Zumbi dos Palmares, seu sobrinho, ocupou seu lugar.

O líder foi considerado um herói, pois combateu todas as tropas enviadas para acabar com o quilombo. Mas, em 1691, o governador do Pernambuco contratou um bandeirante experiente para destruir definitivamente o local, seu nome era Domingos Jorge Velho. Ele realizou vários ataques e saiu vitorioso apenas em 1694.

O Líder Zumbi dos Palmares

Zumbi é um dos ícones da luta contra a escravidão. Ele auxiliou na defesa do Quilombo dos Palmares, mas após um século resistindo as investidas do bandeirante Domingos Jorge Velho, um de seus aliados o traiu, sendo ele capturado e decapitado, em 1695. Sua cabeça foi exposta em Recife. Os refugiados, sem uma liderança, foram capturados, alguns mortos ou se esconderam em outros pontos da região.

História dos Quilombos

Capitanias HereditáriasAcredita-se que os primeiros quilombos surgiram durante o Brasil Colônia, entre os séculos XVI e XVIII nos atuais estados do Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais e Alagoas, a partir do momento em que os indígenas foram trocados pelos negros africanos, que estariam mais aptos a trabalharem nos engenhos de açúcar.

Os quilombos brasileiros representaram a luta dos escravos e também um local de proteção, já que os fugitivos se refugiaram neles, durante o período da escravidão. Sua população não era formada apenas por negros, mas também índios, mestiços e todos aqueles que foram perseguidos durante a colonização. Eles deram origem aos quilombos remanescentes, que são locais reconhecidos por direito e assegurados pela Constituição Federal de 1988 aos quilombolas. Os quilombos não desapareceram, mesmo que em uma quantidade menor, sobreviveram e permaneceram com o fim da escravidão.

Organização no Quilombo

Os quilombos eram comunidades organizadas e bem estruturadas, características estas, presentes nas comunidades quilombolas remanescentes. Alguns deles estavam localizados em locais de difícil acesso e ficavam escondidos, no meio da mata. Lá, os quilombolas montavam habitações com madeira de aroeira, parecidas com cabanas. O teto era coberto com folhas de palmeiras.

O quilombo funcionava como um Estado, apesar de ser menor, ele possuía leis e normas que todos os habitantes deveriam seguir. No Quilombo dos Palmares, por exemplo, havia uma organização hierárquica, cujos líderes foram Ganga Zumba e Zumbi, descendentes dos bantos, que habitavam a Angola. Essa formação, estava presente nas monarquias tribais da África. Além disso, hábitos culturais e religiosos foram trazidos e transmitidos para a sua comunidade, apesar da prática do catolicismo - há indícios de que havia capela e imagens.

Os quilombolas, como eram conhecidos os habitantes deste local, retiravam da floresta e também cultivavam o seu alimento. Além disso, vendiam para as comunidades vizinhas da colônia. Eles confeccionavam cestos, vassouras, chapéus, faziam óleo, por meio do coco, praticavam a caça e a pesca e realizavam o plantio de mandioca, feijão, fumo, cana, milho e outros produtos.

Dentro dos quilombos, com o crescimento da população, formavam-se núcleos de povoamento, que no Brasil, ficaram conhecidos por mocambos. No Quilombo dos Palmares, os principais núcleos eram:

  • Macaco: considerado o centro político, com cerca de 1500 habitações;
  • Subupira: o centro do poder militar;
  • Tabocas: o menor núcleo de aldeias do quilombo;
  • Zumbi: criado com este nome, em homenagem ao líder do quilombo.

Mulheres Quilombolas

As mulheres representaram para os quilombos um símbolo de cuidado e força, já que elas eram as responsáveis por cuidar da família, das tarefas da aldeia (tais como a produção de artesanato com a palha das palmeiras) e dos homens feridos. Em ataques realizados pela Capitania de Pernambuco aos palmarinos, conforme os registros históricos, elas eram capazes de lutar, a fim de acabar com seus inimigos.

Quando os negros chegaram ao Brasil, muitos homens jovens eram comprados para realização do trabalho nos engenhos, devido a sua força. E essa escolha, refletiu na diferença da quantidade de mulheres e homens nos quilombos, ou seja, havia mais homens do que mulheres. Muitos negros mantinha relações com índias ou até mesmo sequestravam mulheres dos engenhos, inclusive, as brancas.

Assim, em Palmares, há relatos de que uma mulher costumava ficar com vários homens, prática esta conhecida como poliandria, e portanto, possuíam vários filhos deles. O objetivo não era apenas reprodutivo, mas, talvez, fruto dos costumes das terras natais dos quilombolas e também uma estratégia para evitar brigas entre os homens que sentiam falta de uma mulher. Isso podia ser uma confusão na cabeça dos negros, já que havia a imposição do casamento monogâmico que era tradição para os senhores de engenho.

Para os homens poderosos da tribo, a poligamia era um privilégio. De acordo com a Fundação Palmares, Dandara foi mulher de Zumbi. Ela teve filhos com o líder e auxiliou nas lutas e estratégias contra as tropas. Acredita-se que além dos trabalhos domésticos, ela sabia caçar, lutar por meio da capoeira e com armas. Outra personalidade foi Aqualtune, princesa congolesa, que teria dado origem ao Quilombo dos Palmares. Ela foi mãe de Ganga Zumba.

Capoeira no Quilombo

A capoeira é uma arte que foi muito praticada nos quilombos. Esse estilo que reúne dança, música e luta tornou-se reconhecido mundialmente, sendo considerada um dos símbolos do Brasil, tanto é que a Roda de Capoeira se tornou uma manifestação cultural reconhecida como Patrimônio Imaterial da Humanidade. Acredita-se que os negros do Quilombo dos Palmares tenham-na utilizado como uma arma para vencer as tropas da Capitania de Pernambuco. Ela dava aos guerreiros agilidade e força durante os ataques. Além disso, através dela, os negros preservavam os costumes de sua terra.

Origem da Capoeira

Inicialmente, a capoeira era uma dança, que foi transformada em arte marcial, no período em que a escravidão prevalecia no Brasil. Os negros que vieram para o país, carregaram sua cultura, implantando suas raízes no território. Ocorreu uma miscigenação quando ela veio para o país, tanto é que seu nome faz referência às vegetações rasteiras onde ela era praticada.

Posteriormente, os negros começaram a enxergar o potencial desta arte e começaram a adaptá-la e aprimorá-la dentro dos quilombos. Os negros costumavam utilizá-la para resgatar outros ou como forma de defesa. Até nas fazendas, ela era utilizada como um modo de fuga. Houve uma junção de elementos da música africana, além de chutes, golpes, rasteiras e outros movimentos, e também músicas que contavam a vida dos negros, seus hábitos e história de sua terra natal.

O que significa a palavra ‘Quilombo’?

A palavra ‘Quilombo’ significa ‘acampamento guerreiro na floresta’ ou ‘divisão administrativa’ e surgiu do Mbundu, o idioma dos povos bantus, habitantes da região atualmente conhecida como Angola, mas existem outras conceituações para o termo. Porém, neste contexto, o nome realmente faz jus ao seu significado, pois foi o local que abrigou milhares de negros e os protegeu de todos aqueles que desejavam eliminá-los.